sábado, 10 de julho de 2021

Meu primeiro amor

 Sempre que ouço a frase: "Meu primeiro amor" me recordo das paixonites que tive quando criança. 

Amava um vizinho, que era moreninho como um índio. Muito simpático, brincalhão e sorridente que estudava na mesma sala que eu e passava horas no muro conversando comigo. 

Amava o vizinho de minha melhor amiga, rapaz alegre, respeitador, conversava comigo como se fôssemos irmãos. Adorava quando ele ia na minha casa fazer algo para seus pais ou ajudar meu pai em alguma coisa.

Amava o colega da menina que estudava na mesma sala que eu. Eu marcava a hora certinha que ele ia na padaria só para poder encontrar com ele na esquina de sua casa, e ficar admirando seu caminhar, sentindo o cheiro de seu perfume suave logo de manhã que ficava pelo ar enquanto seguia em direção à padaria. 

Mas foi no início de minha adolescência que vivi o maior amor de minha vida, daquela época. Eu o amei nos primeiros instantes em que nos conhecemos. Uma brincadeira, algumas palavras sem fundamento, e de repente lá estava eu, olhando em seus grandes olhos castanhos encantada com seu lindo e enorme sorriso que me hipnotizou ao  revelar a sua idade: "dezessete", dizia ele mostrando seus dentes tão branquinhos. Passamos a tarde toda juntos, deitei minha cabeça em seu colo e ouvimos várias músicas do Legião Urbana em meu walkman. Não percebemos que as pessoas daquele lugar estavam indo embora e, consequentemente as pessoas de nossos grupo estavam atormentadas com o nosso sumiço. Trocamos endereços e nos correspondemos por bastante tempo... sete anos, para ser mais exata! Entre uma carta e outra, nos víamos esporadicamente por obra do destino ou de muita oração minha. Dentre as cartas trocados e as notícias de crescimento profissional dele, um dia ele foi em meu curso. uniformizado, todo lindo. Ele sabia que eu o amava. Eu o desejava como um sedento deseja água. Mas não sabia como conquistá-lo para ser aquilo que eu mais queria: meu namorado. Conversamos sobre o amor, sobre os sentimentos que guardamos e ele me disse: " o tempo é remédio que cura..." E eu repliquei: "mas pode ser veneno que mata!" No fundo eu achava que não dava para viver sem as migalhas de atenção que ele me dispensava. Tinha esperanças de que em algum momento eu viveria aquele amor tão profundo que me consumia por dentro. 

Hoje, me lembrando desses acontecimentos, percebo que fui amada por ele sim. Fui amada no momento em que fui respeitada por ele, no momento em que ele me falou a verdade sobre o que sentia por mim, e não era o que eu gostaria de ouvir. Fui amada quando recebi o convite para participar de sua formatura. E, ao ter coragem de lhe falar as 3 palavrinhas poderosas: (EU TE AMO) ele, extremamente emocionado, me abraçou com todo carinho e me disse em meu ouvido: "Eu sei...".

Herbert Vianna canta uma canção que diz: "Saber amar é saber deixar alguém te amar" Acredito que o amor foi cruel comigo ao me presentear com alguém que sabia deixar-se ser amado por mim e não me devolvia o amor que eu desejava receber. Talvez por isso (mas não só por isso) amar para mim seja tão dificultoso. 

Ao longo do tempo fui aprendendo que AMAR é uma decisão a ser tomada diariamente. Longe de viver a magia do amor perfeito, do encontro com a alma gêmea, apenas decidi amar a quem me ama. E tenho aprendido viver a cada dia esse amor. Sem fantasia. Sem encantamentos. Apenas o simples e velho amor de cada dia, porém auto renovável. 

Niterói, 09/07/2021


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