sexta-feira, 28 de março de 2025

Sobre Comida (e umas aventuras na) Argentina.

 É incrível como a gente pensa que a comida que comemos em nossa casa, na região que a gente vivemos pode ser encontrada em qualquer lugar desse planeta.

No início de agosto, viajei para Argentina e a primeira coisa que me chamou a atenção, depois da insegurança de não saber falar bem a língua local, foi a comida. Até a água tem um sabor diferenciado.  De fato, já no avião, senti diferença no paladar. A empresa aérea serviu um sanduiche, que eu chamei de pão pelado, com queijo e presunto, um café cujo sabor não era tão caliente quanto eu gostaria. 

Ao seguir para almoçar, num restaurante português, não serviam a comida mais comum no Brasil, (jurava que encontraria ali um saboroso arroz com feijão...) O prato era servido assim: se pedisse uma massa, você poderia escolher apenas um molho para acompanhar. Se pedisse um risoto acompanhado de uma carne, era só isso que viria (foi o que pedi: ossobuco e um arroz esquisito que mais parecia uma papa com creme de milho sem nenhum tempero). Senti falta daqueles magníficos pratos de peão, muito bem servidos com arroz-feijão-macarrão-farofa-carne-salada e um café grátis no final.   O café era artigo de luxo, estava na lista de sobremesas! Como assim??? Eu e outra brasileira, conversando com o dono do restaurante solicitamos um cafezinho de cortesia, já que ele havia morado um tempo no Brasil, ele entendia do que estávamos falando. E olha que eu nem sou de tomar café depois do almoço! Mas achei aquilo uma afronta: café de sobremesa! 

Na segunda noite em Buenos Aires, saí caminhando pela cidade com minha nova amiga baiana. Procuramos uma farmácia porque ela sentiu que estava com o estômago fragilizado. Visitamos livraria, mercado e um hortifruti. Fomos de metrô para a Plaza 25 de Mayo, próximo de onde ela estava hospedada. Conversamos com um grupo de voluntário que constantemente servia jantares aos desabrigados em frente a catedral de Buenos Aires, onde o Papa Francisco serviu por anos como arcebispo. Local em que se encontra também um museu dedicado ao pontífice. Apesar do desejo de comer um bom lanche e ou tomar uma cervejinha comendo uma pizza, segui para minha hospedagem e acabei não jantando. 

No meu terceiro dia, saí cedo do hostel e fui participar da missa na catedral, um desejo que não pude realizar no domingo a noite, porque cheguei ao aeroporto depois do horário previsto. Nem na segunda-feira porque ainda me sentia insegura para andar pelas ruas, para mim, ainda desconhecidas, da capital argentina. Não tomei o café da manhã. Depois da missa, segui para a atividade proposta na Faculdade de Filosofia e Letras da UBA, no campus de arte. Lugar lindo e inspirador! Na hora de almoçar, seguimos para um restaurante diferente, em um bairro pouco mais distante do centro. Local com ar de antigo, cheio de objetos, garrafas e cartazes do século passado e uns embutidos pendurados acima de um balcão, ou sobre a nossas cabeças, o que achei muito simpático.  No cardápio, havia mais comidas-pela-metade. Resolvi experimentar una pasta con salsa de cuatro quesos e carne de cerdo con papas fritas.  Quando os pratos chegaram, fiquei assustada com a quantidade! O prato de macarrão parecia uma bacia! Estava muito cheio e simplesmente DELICIOSO! Já o prato de carne de porco, vieram 2 grandes bifes e quase meio quilo de batatas fritas. Óbvio que não dei conta de comer aquilo tudo. Embalei para viagem e esse foi o meu jantar. 

No quarto dia, acordei muito mais cedo, tomei uma horroroso capuccino de máquina acompanhado de um pãozinho que guardei do dia anterior e segui para o aeroporto. Saí de Buenos Aires e segui para  Salta, norte da Argentina. Cheguei ao meu destino próximo das 13h. Deixei as malas no hotel e pedi sugestão de um bom restaurante para poder almoçar. Apesar da saudade do pretinho gostoso, meu querido feijão, desafiei-me a provar as comidas regionais. Um simpático garçom, chamado Sebastião, ajudou-me a escolher: tamales, humitas e empanadas acompanhada de uma bela taça de vinho tinto regional Malbec.

Provei as Tamales: uma espécie de pamonha recheada com carne. Apesar de sentir que faltava um pouco mais de tempero... Gostei! Não tinha humitas, então recebi duas tamales. As empanadas são muito saborosas também. Elas me lembram um pãozinho tipo pastel de forno. O que me salvou verdadeiramente foi a entrada: Uma cesta cheia de pão cortadinho e três tipos de acompanhamentos: molho de alho, de pimenta e berinjelas em conservas. Deliciosos!!!

A noite, segui meu caminho conhecendo a cidade de Salta e buscando uma igreja para participar da missa. Fui parar numa padaria chamada Pan-Pan que, segundo o vendedor de casacos que me indicou, servia uma pizza maravilhosa e também refeições. Provei da pizza. Massa apetitosa, molho agridoce, apenas dois sabores: queijo ou queijo com presunto.  Escolhi a segunda opção. Aproveitei para provar a cerveja local: SALTA ROJA. Gamei! Até estou com saudades do sabor! 

Saí da padaria, provei uns alfajores e também comprei alguns. Quando seguia meu caminho rumo ao hotel encontrei com duas queridas do grupo de pesquisa! Tomamos uma taça de vinho. 

22 de outubro de 2024.


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