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| 22 de ago. de 2022 22:21 (há 9 horas) | ![]() ![]() | ||
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Este é um espaço de reflexão e anotações. Resgate de minhas memórias e articulação com as vivências que tenho nos dias atuais. O objetivo aqui é escrever e refletir sobre a vida. Espero conseguir!
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Matriculei-me num curso de extensão da FIOCRUZ/IFRJ 2022 cujo tema é Aprendizagem Infantil ao Ar Livre. O tema muito interessou-me pois tenho buscado trabalhar com as crianças a concepção de que NÓS SOMOS NATUREZA. Por isso precisamos garantir os direitos da natureza à vida. cuidar de quem cuida da gente.
Logo de início precisamos fazer um pequeno texto apresentando, a partir de nossas memórias de infância junto à natureza e descrevendo um pouco de nossas práticas atuais. Segue abaixo o texto que postei no padlet do curso.
Este curso trata-se de uma pesquisa para o doutorado da professora Mônica Oliveira.
"Gosto muito de falar sobre minhas memórias de infância. Estou pesquisando sobre isso para o mestrado, inclusive! Minha família veio do interior do Espírito Santo. Eu nasci em Nova Iguaçu. Tínhamos algumas pequenas plantações em nosso quintal e ao lado de casa, onde moravam minha avó e meus tios. Algumas árvores frutíferas como pitanga, mexirica, coco, manga, goiaba, palmito, amêndoa, pimenta do reino, laranja (do tempo das antigas fazendas da Maxambomba). Havia criação de porcos e galinhas também. Eu adorava cuidar desses animais. A casa da minha avó era o ponto de encontro de toda criançada da rua, aliás, do bairro inteiro. Ali brincávamos de muitas cirandas, ouvíamos histórias, de dia na sombra da grande árvore frondosa e a noite, sob a luz da lua, quando fazíamos fogueira com as folhas da amendoeira e alguns galhos para assar batata doce e as próprias amêndoas e comer seus coquinhos. Escondidos de nossos pais, meus primos e eu brincávamos com fogo ao fazermos maria-preta, acender vela e pingar na palma da mão, aquecer-se à beira da fogueira em noites frias. Além disso as crianças maiores faziam comidinhas de verdade num fogão de tijolos e lenha (eu tinha 5 anos quando minha avó morreu e toda essa prática se desfez). Dentre muitas coisas que vivenciei, ainda lembro que fazia suco de uva usando as frutinhas da bertalha e comia o farelo de tijolos raspados na parede como se fosse farinha. Meus primos caçavam preás, rãs e tanajuras para comer. Eu experimentava. Hoje em dia busco trabalhar com as crianças da Educação Infantil um pouco desta vivência. Sempre busco realizar plantações de mudas e sementes, cuidar e acompanhar seu crescimento e colher seus frutos. Ultimamente trabalho numa UMEI que tem um lindo espaço chamado Quintal das Borboletas (nome escolhido pelas crianças para o nosso jardim). Neste espaço, realizamos atividades diversas, desde simplesmente observar, plantar, cuidar das plantas regando e inserindo terra nova onde precisa, como também apreciar e pintar o que observamos, colher folhas secas, galhos, frutos e flores caídas para fazer brinquedos e colagens. Além disso favorecemos momentos de brincar livremente, onde as crianças mexem com a terra, usam a imaginação para criarem e recriarem suas realidades."
Quando soube que precisaria responder sobre essa questão étnico-racial, imediatamente pensei na música da banda Cidade Negra cujo título é: NEGRO É LINDO.
Depois, lembrei de um fato que aconteceu comigo, pessoalmente.
Cidade Negra -
Negro É Lindo
Negro é lindo/O negro é amor/Negro é amigo Negro é lindo/O negro é amor/Negro é amigo/Negro também é mais um filho de Deus/Mas negro também é mais um filho de Deus
Eu só quero que deus me ajude /A ver meu filho nascer e crescer/ E ser um campeão, E ser um campeão/Sem prejudicar ninguém/Sem prejudicar ninguém
Porque meu bom, negro é lindo (...)
Negro também é mais um filho, mais um filho de Deus/ Mas negro também é mais um filho de Deus, mais um filho de Deus/ Preto velho tem tanta canjira/Que todo povo de Angola/Que todo povo de Angola/Mandou preto velho chamar/Eu quero ver preto velho descer/Eu quero ver o preto velho cantar e dizer/Eu quero ver preto velho descer/Eu quero ver o preto velho cantar e dizer
Negro é lindo (negro é lindo) /O negro é amor/Negro é amigo (negro é lindo) ...
Compositores: Jorge Menezes
Vejo essa poesia como uma verdadeira obra de artes. O compositor consegue, principalmente através do intérprete, envolver o ouvinte ao embalo de uma afirmação positiva sobre a beleza do negro, sua origem, elevando a auto estima do povo negro como que fazendo um clamor para que seus descendentes não sofram o que sofreram seus antepassados… e se amem como são. Sinto isso. Gosto muito dessa música!
Sobre o fato que aconteceu comigo pessoalmente:
Durante a minha graduação e pós pesquisei sobre a questão indígena e por conta disso, visitei e convivi bastante com os moradores da Aldeia Maracanã. Mesmo após a finalização das pesquisas frequentava regularmente o Antigo Museu do Índio, onde ficava a aldeia, e participava dos eventos ali promovidos mensalmente. Um belo dia apareceu uma senhora com sua filha para fazer um trabalhinho da escola. Ela estava no Ensino Fundamental. Fez suas perguntas a alguns indígenas que estavam ali e um deles nos indicou para que a menina conversasse conosco, eu e uma amiga do povo PURI, que também é professora e pesquisadora da questão mas não morava na aldeia. Enquanto nós respondíamos as questões da menina, sem perceber, eu gesticulando ao falar, toquei com a mão no braço daquela mãe que IMEDIATAMENTE se afastou e limpou o braço. Naquele momento eu me senti um lixo… fiquei pensando em como se sentem as pessoas vítimas de racismo. Foi só um gesto, um reflexo talvez, mas como foi doloroso! Creio que ela nem percebeu o que fez. E olha que eu nem sou indígena! Não tenho nenhuma semelhança… Mas o nojo ficou estampado naquele gesto.
É incrível como a gente pensa que a comida que comemos em nossa casa, na região que a gente vivemos pode ser encontrada em qualquer lugar d...