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Sabe, ainda sinto uma pontinha de sentimento que não sei denominar... rsss... quanto a escrita sobre as minhas memórias.
Hoje estava assistindo a biografia de Elis Regina. Ouvindo a música composta por Belchior "Como nossos pais", atentei-me à frase: "VIVER É MELHOR QUE SONHAR...!" Ela fez com que eu pensasse no tempo em que eu sonhava com o mestrado. Sonhava com a escrita de um livro sobre minhas memórias. E por um instante eu discordei dela... viver o sonho sonhado a tanto tempo é tão difícil, doloroso, requer renúncias que às vezes não estamos prontos para fazer. Requer sacrifícios que muitas vezes precisamos fazer, para dar conta de tudo o que nos propomos construir. Tudo isso a fim de receber ao final um novo diploma para colocar na pasta de documentos, um novo título para apresentar cada vez que nos convidarem a participar de algum evento, e alguns reais a mais no salário no final do mês.
Por muito tempo eu vivi sonhando...( lembrei de outra música, de João Gilberto:) "Vivo sonhando, sonhando mil horas sem fim..." Sonhei tanto que creio ter me acostumado a viver sonhando. Logo, viver a realidade sonhada pode ser assustador no início. Mas creio também que tudo vai passar, tudo vai dar certo e eu vou conseguir dar conta daquilo que me propus realizar.
Há uma passagem de minha vida em que vi a mim mesma sentada a beira do caminho... (eita, outra música!!! Agora de Erasmo Carlos e Roberto Carlos:) "...Olho pra mim mesmo e procuro e não encontro nada. Sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada..." Mas este tempo passou. Eu pensei que jamais passaria... mas passou. Por isso tenho fé. Por isso creio que passará.
Enfim.
Aqui vai mais um pouquinho de mim.
Eliete Marcelino Escrevi este e-mail para Inês Bragança, minha orientadora do Mestrado em 25/05/2022.
