sexta-feira, 27 de maio de 2022

Um e-mail reflexivo...

( ...) 

Sabe, ainda sinto uma pontinha de sentimento que não sei denominar... rsss... quanto a escrita sobre as minhas memórias.

Hoje estava assistindo a biografia de Elis Regina. Ouvindo a música composta por Belchior "Como nossos pais", atentei-me à frase: "VIVER É MELHOR QUE SONHAR...!" Ela fez com que eu pensasse no tempo em que eu sonhava com o mestrado. Sonhava com a escrita de um livro sobre minhas memórias. E por um instante eu discordei dela... viver o sonho sonhado a tanto tempo é tão difícil, doloroso, requer renúncias que às vezes não estamos prontos para fazer. Requer sacrifícios que muitas vezes precisamos fazer, para dar conta de tudo o que nos propomos construir. Tudo isso a fim de receber ao final um novo diploma para colocar na pasta de documentos, um novo título para apresentar cada vez que nos convidarem a participar de algum evento, e alguns reais a mais no salário no final do mês. 
Por muito tempo eu vivi sonhando...( lembrei de outra música, de João Gilberto:) "Vivo sonhando, sonhando mil horas sem fim..." Sonhei tanto que creio ter me acostumado a viver sonhando. Logo, viver a realidade sonhada pode ser assustador no início. Mas creio também que tudo vai passar, tudo vai dar certo e eu vou conseguir dar conta daquilo que me propus realizar.  
Há uma passagem de minha vida em que vi a mim mesma sentada a beira do caminho... (eita, outra música!!! Agora de Erasmo Carlos e Roberto Carlos:) "...Olho pra mim mesmo e procuro e não encontro nada. Sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada..." Mas este tempo passou. Eu pensei que jamais passaria... mas passou. Por isso tenho fé. Por isso creio que passará. 
Enfim. 
Aqui vai mais um pouquinho de mim. 
Eliete Marcelino 

Escrevi este e-mail para Inês Bragança, minha orientadora do Mestrado em 25/05/2022.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Morreu de saudade











Era domingo... e eu não fui à igreja.
Era domingo... e eu não fui à praia.
Era domingo...  e eu não saí de casa  
Era domingo... eu não fui almoçar com a minha mãe, como sempre fazia.
Era domingo... terceiro domingo de maio de 2020. Dia 17. 
Era pouco mais de 10h da manhã quando o telefone tocou. Meu marido atendeu no quarto e eu atendi na sala. Ouvi a voz embargada de minha irmã dizendo a ele: " ...minha mãe partiu."
Meu chão sumiu.
Meu horizonte desapareceu.
Minha voz se escondeu.
Minhas lágrimas secaram naquele momento. Com a lembrança imediata de uma conversa em minha infância quando mamãe dizia que não queria ninguém chorando a sua morte.
Fiquei desnorteada. Estarrecida. Empalidecida. Aborrecida. Revoltada. Um misto de sentimentos. Um mix de emoções. 
Não fiquei triste. Minha mãe estava bem idosa e eu já sabia que a qualquer momento ela voltaria para a casa do Pai Celeste. Sua morte era uma certeza sem data marcada para mim.
Fiquei aborrecida sim porque ela viveu seus últimos meses, semanas e dias na saudade. E saudade não é uma coisa boa de se levar dessa vida.
Fiquei revoltada sim, porque ela virou mais 1 na estatística mundial... na estatística deste país governado por seres inconsequentes e energúmenos. 
Foi contaminada pelo Covid-19 sem ter saído de casa. 
Ficou doente e só depois da confirmação, houve certa preocupação em determinados cuidados sanitaristas por parte de muita gente do entorno dela.
Sua morte foi caracterizada por uma parada cardíaca em função do Covid-19.
Minha mãe morreu de Covid-19. Poderia ter morrido de velhice, e eu estaria feliz, como fiquei com a morte de meu pai. Ele se foi feliz... presava a felicidade, a alegria. 
Ela morreu de tristeza.
Ela morreu de saudade.

 

Sobre Comida (e umas aventuras na) Argentina.

 É incrível como a gente pensa que a comida que comemos em nossa casa, na região que a gente vivemos pode ser encontrada em qualquer lugar d...