Pois é assim que estou sentindo-me. Com minha garganta seca, minhas mãos sedentas, necessitadas de escrever. Há uma sensação de estar bem de frente a uma imensidão de água que não posso beber pois um pequeno gole me fará multiplicar a sede que sinto (de conhecimento), podendo levar-me a sucumbir.
Preciso escrever. Escrever para obter uma nota e conseguir um certificado. Isso me assusta. Assusta porque gosto de escrever. Gosto de pesquisar. Gosto de aprender. Não gosto de ter de escrever dentro de uma forma, utilizando uma regra específica, preocupando-me com a vírgula, a letra minúscula ou maiúscula, os parênteses, o ano ou a página, o minuto exato do filme de onde retirei aquela frase que tanto impactou meus pensamentos, fazendo-me refletir sobre milhões de coisas dentro de minha pesquisa. Tudo isso tornou-se correntes que pesam em minhas mãos de amante da escrita. Amante da leitura. Impedindo-me de concluir o que preciso escrever e preciso ler.
Aprisionamento. Correntes prendem a minha capacidade de criar, escrever.
Por que não consigo escrever o que preciso escrever?
Por que não consigo aprofundar-me naquilo que é necessário nas disciplinas?
Onde foi parar aquela pessoa que conseguia escrever lindamente sobre quaisquer assunto e que ganhou até prêmio por causa disso?
Sinto falta daquelas avaliações em que recebia um "10,00 com louvor!!!" dos professores da minha graduação.
Estar no mestrado não é tão difícil quanto parece. Mas confesso que estou enfrentando minhas limitações pessoais, meus monstros interiores por não conseguir concluir as tarefas nas datas determinadas e muito menos com a profundidade nos temas quanto determinaram as professoras.
Enfrentar esses medos de não conseguir, viver essa sensação de impotência e incompletude, insignificância, é triste.
É triste...
Morrer de sede em frente ao mar...
Preciso aprender a dessalgar essa água para conseguir sobreviver a essa secura de ideias e de escritas.
Niterói, 06 de setembro de 2022.

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