sábado, 15 de outubro de 2022

10/10/2022

 Não!

Não dê liberdade a quem não sabe ainda  o que fazer.

Pois será desperdício de tempo e de saber. 

Não dê liberdade a quem não definiu seus escritos e seus cortes.

Pois a liberdade desorientada pode ser o fim.

Não diga para mim “faça o que quiser!”

Pode ser que eu não faça nada.

Não me deixe para eu escrever sozinha

Pois talvez eu me engane a mim mesma para não conseguir escrever.


Existe dentro de mim um ser que detesta quando conquisto algo em minha vida.

Este ser fica decepcionado toda vez que escrevo bem, toda vez que cumpro prazos.

Ele odeia quando tenho vitórias.

Não quero alimentar mais este ser. Não quero deixá-lo feliz com as minhas frustrações e inseguranças, minhas tristezas e desgostos. 

Quero conhecer aquela criança faceira, sapeca que corria atrás de tudo o que desejava

que buscava a felicidade dentro de uma bolha de sabão,

que subia o morrinho de sua casa batendo o pé para levantar poeira e depois descia correndo, sentindo o vento no rosto, com os braços abertos como se pudesse voar.

Mesmo que às vezes essa corrida terminasse com um tombo violento e o corpo todo ralado. 

Quero encontrar novamente essa menina que não teve mais medo de escuro, quando se deu conta de que nunca estava sozinha.

Essa menina que sentava na escada de sua casa conversando com seu parceiro de brincadeiras ensinando e aprendendo as coisas mais legais da infância, como assoviar por exemplo.

Quero poder olhar nos olhos daquela menina que olhava a rua pela janela de sua casa, olhava a chuva, o vento nas folhas do coqueiro, o granizo caindo do céu.  



***


Saudades dessa menina inquieta, bagunceira, alegre.


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