quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Querida professora parecerista,

Foto da instalação feita no dia da defesa de mestrado na FFP-UERJ 02/05/2024

 Gostaria de começar agradecendo por sua disponibilidade em dar as suas mãos e caminhar comigo na construção dessa dissertação-diário tão importante em minha vida. 

Cada página foi escrita com lágrimas de alegria e de saudades. Em muitos momentos o meu coração apertou, doeu, me obrigando a chorar para amenizar as angústias e aliviar o cansaço. A cada página, o universo revelava algo novo a ser refletido. Sob a luz da lua e das estrelas,  imagens que representam a minha querida avó Dindinha, fui redigindo cada parte do texto que hoje encaminho para sua nova apreciação.   Almir Sater tem uma canção linda feita em parceria com o Renato Teixeira que diz assim: "Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais. Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe! Só levo a certeza de que muito pouco eu sei... eu nada sei."  Assim eu me sinto. Assim foi o meu processo de escrita da dissertação-diário. Foram 15 anos entre o fim da primeira pós graduação, com a primeira tentativa para entrar no mestrado e o dia em que finalmente consegui uma vaga na FFP UERJ. Precisei desacelerar minha vida por completo para dar ouvidos às minhas limitações e às necessidades daqueles que compõem meu círculo familiar mais íntimo. Sorrio apesar da dor que é inevitável, mas, superável. Aprendi que a felicidade está no processo, na caminhada e não no final. Aprendi que as histórias de vida importam muito, que podem servir de inspiração para outras pessoas, que aquilo que vivemos pode ser melhorado com o tempo e que estamos em constante construção, em constante aprendizagem.   Aprendi também que olhar para trás é importante para não repetirmos os mesmos erros, para refletir sobre onde estamos e, principalmente para definir onde desejamos chegar. Somos estradas a serem percorridas, desbravadas, preenchidas. Muitas vezes essa pesquisa serviu como bálsamo a cobrir as lacunas dolorosas do meu passado quase sem memória. E as memórias colecionadas a partir das entrevistas-conversas, feitas com mais de cinquenta pessoas, serviram como um fio forte que ligou cada pedaço de lembrança a outro, montando assim uma enorme colcha de retalhos textuais. 
 O que encaminho a você hoje não é apenas um texto... é uma parte da história da minha vida, dos meus ancestrais, da minha família. Uma parte da história da educação de Niterói a partir das memórias e registros de uma professora. São lembranças que saltam, registros que se firmam, imagens que falam. São preciosidades da minha existência. São pedaços da vida de colecionadores de afeto que me ensinaram a ser o que sou hoje: humana, mulher, neta, filha, irmã, mãe, prima, amiga, professora, pesquisadora, escritora, arteira.
O arquivo que encaminho, no momento, está sem o tratamento das imagens ainda, que está sendo realizado e, por esse motivo, haverá uma mudança pequena quanto ao número e na ordem de algumas páginas. No entanto, a parte textual está completa. Não haverá alteração.  
Após o dia 15 de abril encaminharei o texto impresso, finalizado, com as imagens tratadas.
Para receber o texto impresso, solicito que me mande o seu endereço completo ou o dia e local onde poderei entregar em mãos, o que seria uma alegria para mim.
Espero que você esteja bem e que tenha uma leitura prazerosa. Aproveite para entrar nos links e ouvir as músicas que me acompanharam durante a minha escrita e aquelas que viraram trilha sonora das histórias e das lembranças que tive ao longo desses dois anos. 
Sem mais, me despeço com o coração repleto de alegria e esperança de uma futura continuidade desta pesquisa tão preciosa para mim.
Carinhosamente,
Eliete Marcelino Dias Andrade 
(Enviei essa carta-e-mail às professoras pareceristas de minha banca de mestrado: )

5 de abr. de 2024, 18:47

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