segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Aprendizagem infantil ao Ar livre

Matriculei-me num curso de extensão da FIOCRUZ/IFRJ 2022 cujo tema é Aprendizagem Infantil ao Ar Livre. O tema muito interessou-me pois tenho buscado trabalhar com as crianças a concepção de que NÓS SOMOS NATUREZA. Por isso precisamos garantir os direitos da natureza à vida. cuidar de quem cuida da gente. 

Logo de início precisamos fazer um pequeno texto apresentando, a partir de nossas memórias de infância junto à natureza e descrevendo um pouco de nossas práticas atuais. Segue abaixo o texto que postei no padlet do curso. 

Este curso trata-se de uma pesquisa para o doutorado da professora Mônica Oliveira.



 "Gosto muito de falar sobre minhas memórias de infância. Estou pesquisando sobre isso para o mestrado, inclusive! Minha família veio do interior do Espírito Santo. Eu nasci em Nova Iguaçu. Tínhamos algumas pequenas plantações em nosso quintal e ao lado de casa, onde moravam minha avó e meus tios. Algumas árvores frutíferas como pitanga, mexirica, coco, manga, goiaba, palmito, amêndoa, pimenta do reino, laranja (do tempo das antigas fazendas da Maxambomba). Havia criação de porcos e galinhas também. Eu adorava cuidar desses animais. A casa da minha avó era o ponto de encontro de toda criançada da rua, aliás, do bairro inteiro. Ali brincávamos de muitas cirandas, ouvíamos histórias, de dia na sombra da grande árvore frondosa e a noite, sob a luz da lua, quando fazíamos fogueira com as folhas da amendoeira e alguns galhos para assar batata doce e as próprias amêndoas e comer seus coquinhos. Escondidos de nossos pais, meus primos e eu brincávamos com fogo ao fazermos maria-preta, acender vela e pingar na palma da mão, aquecer-se à beira da fogueira em noites frias. Além disso as crianças maiores faziam comidinhas de verdade num fogão de tijolos e lenha (eu tinha 5 anos quando minha avó morreu e toda essa prática se desfez). Dentre muitas coisas que vivenciei, ainda lembro que fazia suco de uva usando as frutinhas da bertalha e comia o farelo de tijolos raspados na parede como se fosse farinha.  Meus primos caçavam preás, rãs e tanajuras para comer. Eu experimentava. Hoje em dia busco trabalhar com as crianças da Educação Infantil um pouco desta vivência. Sempre busco realizar plantações de mudas e sementes, cuidar e acompanhar seu crescimento e colher seus frutos. Ultimamente trabalho numa UMEI que tem um lindo espaço chamado Quintal das Borboletas (nome escolhido pelas crianças para o nosso jardim). Neste espaço, realizamos atividades diversas, desde simplesmente observar, plantar, cuidar das plantas regando e inserindo terra nova onde precisa, como também apreciar e pintar o que observamos, colher folhas secas, galhos, frutos e flores caídas para fazer brinquedos e colagens. Além disso favorecemos momentos de brincar livremente, onde as crianças mexem com a terra, usam a imaginação para criarem e recriarem suas realidades."

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