Quando soube que precisaria responder sobre essa questão étnico-racial, imediatamente pensei na música da banda Cidade Negra cujo título é: NEGRO É LINDO.
Depois, lembrei de um fato que aconteceu comigo, pessoalmente.
Cidade Negra -
Negro É Lindo
Negro é lindo/O negro é amor/Negro é amigo Negro é lindo/O negro é amor/Negro é amigo/Negro também é mais um filho de Deus/Mas negro também é mais um filho de Deus
Eu só quero que deus me ajude /A ver meu filho nascer e crescer/ E ser um campeão, E ser um campeão/Sem prejudicar ninguém/Sem prejudicar ninguém
Porque meu bom, negro é lindo (...)
Negro também é mais um filho, mais um filho de Deus/ Mas negro também é mais um filho de Deus, mais um filho de Deus/ Preto velho tem tanta canjira/Que todo povo de Angola/Que todo povo de Angola/Mandou preto velho chamar/Eu quero ver preto velho descer/Eu quero ver o preto velho cantar e dizer/Eu quero ver preto velho descer/Eu quero ver o preto velho cantar e dizer
Negro é lindo (negro é lindo) /O negro é amor/Negro é amigo (negro é lindo) ...
Compositores: Jorge Menezes
Vejo essa poesia como uma verdadeira obra de artes. O compositor consegue, principalmente através do intérprete, envolver o ouvinte ao embalo de uma afirmação positiva sobre a beleza do negro, sua origem, elevando a auto estima do povo negro como que fazendo um clamor para que seus descendentes não sofram o que sofreram seus antepassados… e se amem como são. Sinto isso. Gosto muito dessa música!
Sobre o fato que aconteceu comigo pessoalmente:
Durante a minha graduação e pós pesquisei sobre a questão indígena e por conta disso, visitei e convivi bastante com os moradores da Aldeia Maracanã. Mesmo após a finalização das pesquisas frequentava regularmente o Antigo Museu do Índio, onde ficava a aldeia, e participava dos eventos ali promovidos mensalmente. Um belo dia apareceu uma senhora com sua filha para fazer um trabalhinho da escola. Ela estava no Ensino Fundamental. Fez suas perguntas a alguns indígenas que estavam ali e um deles nos indicou para que a menina conversasse conosco, eu e uma amiga do povo PURI, que também é professora e pesquisadora da questão mas não morava na aldeia. Enquanto nós respondíamos as questões da menina, sem perceber, eu gesticulando ao falar, toquei com a mão no braço daquela mãe que IMEDIATAMENTE se afastou e limpou o braço. Naquele momento eu me senti um lixo… fiquei pensando em como se sentem as pessoas vítimas de racismo. Foi só um gesto, um reflexo talvez, mas como foi doloroso! Creio que ela nem percebeu o que fez. E olha que eu nem sou indígena! Não tenho nenhuma semelhança… Mas o nojo ficou estampado naquele gesto.

Nenhum comentário:
Postar um comentário